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segunda-feira, 21 de março de 2011

A cidade da brisa

        
           Era uma cidade do interior, onde o vento soprava rasteiro todas as tardes. Por isso, era conhecida como a cidade-da-brisa. E era a brisa mesmo que erguia de leve os cabelos soltos da pouca gente que passava pela estrada de terra principal. Às vezes, as pessoas vinham em busca de paz, outras vezes, de muita paz. Mas o amor não é sinônimo de paz.
           Ela veio vender seus artesanatos e ninguém perguntou seu passado. Ela ficou por muitos anos e nunca alguém fez perguntas escrutinadoras. Então ela não tinha passado, ela era somente o dia que não se repetiria, e isso parecia bom. Mas, nada é imutável, e um dia a cidade conheceu o maior vento que já havia passado por alí. Ele até derrubou uma árvore antiga que já meio torta, despencava sobre a praça do centro. Era Janeiro. O vento levou a poeira de muitos sapatos. Bagunçou alguns telhados, reduziu uns espaços, expandiu umas dúvidas.
           É assim que o amor é vida e vento, que sopra na cidade de nossa alma. É assim que o amor é fúria e ímpeto, e tem algo nostálgico e ruím nesta imensidão que ele expõe. Mas é assim que o amor é livre. E galga como o vento, arremessa os velhos pensamentos, enche a mente depois de esvaziar.
           

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